Embora Elvis Presley tenha morrido em 1977, o seu nome, a sua música e a sua imagem ainda chamam a atenção do público. O período após sua morte foi marcado por controvérsias, idolatria, ridicularização e comercialismo: policiais discutiram o papel das drogas na sua morte, organizações musicais homenagearam suas conquistas, a mídia ridicularizou os fãs e os exploradores fizeram muito dinheiro com tudo isso. Das manchetes dos jornais até o topo dos prêmios e das homenagens, Elvis continuou a ser notícia. A morte não foi o fim da carreira de Elvis, foi apenas um marco de outra fase.Para comemorar o 25º aniversário de sua morte, a RCA lançou uma coletânea dos seus hits número 1, intitulada: ELV1S: 30 #1 Hits. A campanha de marketing foi desenvolvida sobre a linha: "Antes de qualquer pessoa fazer algo, Elvis fez tudo. Uma frase muito inteligente que resume a contribuição de Elvis à história da cultura pop e, ao mesmo tempo, evoca o dinamismo do seu som e o perigo da sua imagem original.
O mundo precisava se lembrar disso - e lembrou. ELV1S: 30 #1 Hits foi número 1 logo no lançamento, vendendo 500 mil cópias na primeira semana. Lançar um álbum no topo das paradas norte-americanas era algo que Elvis nunca conseguiu quando estava vivo. Além dos Estados Unidos, ELV1S: 30 #1 Hits estreou no topo das paradas de sucesso em outros 16 países, inclusive Canadá, França, Reino Unido, Argentina e Emirados Árabes.
Estratégias de marketing à parte, foi a música que contribuiu para o sucesso do CD. Organizada em ordem cronológica, a coletânea cobriu toda a carreira de Elvis na RCA - desde Heartbreak Hotel, em 1956, até Way Down, em 1977. Todas essas músicas foram número 1 nas paradas na época do lançamento original, tanto nos EUA quanto no Reino Unido. Isso suaviza a acusação feita por historiadores do rock que dizem que a música de Elvis entrou em declínio nos últimos anos de sua vida. A saúde e a carreira dele podem ter sofrido e o som que ele fazia já não era rock'n roll, mas a sua música ainda era vital para um grande público.
Isso também poderia ser dito para o público de hoje. Como uma inclusão de última hora em ELV1S: 30 #1 Hits, os produtores incluiram um remix de A Little Less Conversation; uma música gravada por Elvis originalmente para a trilha sonora de Viva um pouquinho, ame um pouquinho (Live a Little, Love a Little). A música foi retrabalhada no início de 2002 pelo DJ holandês Junkie XL para um comercial da Nike para a Copa do Mundo, mas quando foi lançada como um single dance-mix, tornou-se o primeiro single de Elvis a ser top ten em décadas. "A Little Less Conversation" foi colocada como faixa adicional, mantendo-se separada do conceito do resto das faixas do CD.
A equipe de Ernst Jorgensen e Roger Semon reuniu e pesquisou as faixas em ELV1S: 30 #1 Hits. Jorgensen e Semon da BMG (que agora é a dona da RCA) pesquisou o catálogo de Elvis por muitos anos, trabalhou duro para restaurar e reembalou sua música para a sua glória antiga. Um grupo de engenheiros e remasterizadores experientes foi chamado para otimizar o som de modo que parecesse real, como as gravações originais; uma tarefa difícil, se considerar a condição das fitas originais.
Guardadas nos depósitos da RCA, em Iron Mountain, Pennsylvania, algumas das fitas originais não eram tocadas já há mais de 40 anos. A maioria estava deteriorada e o primeiro objetivo era passá-las para o formato original para remixar ou remasterizar. Algumas delas, inclusive a fita de "Way Down", estavam numa condição tão ruim que tiveram que ser aquecidas em um forno para evitar que a ferrugem caísse da fita.
As músicas de 1956 a 1961 foram gravadas em um sistema mono e não puderam ser remixadas, só remasterizadas. As de 1961 a 1966 foram gravadas em um sistema de gravação de três canais e precisaram de uma máquina antiga para auxiliar no processo de remixagem. Existem pouquíssimas máquinas dessas e as da equipe de remixagem costumava esquentar muito, agravando ainda mais o processo.
As faixas seguintes foram gravadas em oito, 16 e até 24 canais, e foram consideravelmente mais fáceis para remixar. Porém, o objetivo era produzir uma qualidade uniforme em todas as faixas para assegurar que a qualidade permanecesse mesmo se o CD fosse tocado em um aparelho doméstico, no computador ou no carro. Os esforços desses engenheiros e remixadores resultou numa modernização que restaurou a vitalidade das canções que não diminuiu as qualidades de Elvis nas músicas.
A energia nas canções de Elvis vem, em parte, do modo como ele trabalhava no estúdio. Quando entrava no estúdio, tirava as divisórias entre ele e os músicos, assim ele ficava na mesma sala que a banda. Eles faziam um aquecimento cantando algumas canções gospel ou outra qualquer, aí começavam a selecionar as músicas que tinham sido trazidas pela banda, pela Memphis Mafia, pelo Coronel ou por qualquer pessoa que tivesse uma sugestão.
Elvis cantava cada tomada de uma música inteira como se fosse uma apresentação para uma platéia. Cada tomada ficava mais legal ou não de acordo com a interação entre Elvis e a banda, um tipo de abordagem de tentativa e erro que deu certo por instinto e espontaneidade. Algumas vezes, ele se movia com a música de modo que inspirava a banda a fazer algo um pouco diferente ou algumas tomadas ou melhorar o que tinham feito nas tomadas anteriores.
Todas as decisões sobre uma canção eram feitas no estúdio durante a sessão, não antes dela. Assim, Elvis era o produtor do seu trabalho, dependendo da urgência para fazer a gravação. Geralmente, ele não gravava por cima nem cortava várias tomadas de uma música para fazer uma versão de estúdio perfeita. A excelente remixagem e remasterização das músicas em ELV1S: 30 #1 Hits capta a vitalidade da abordagem única da gravação de Elvis.




